contos sol e lua

contos sol e lua

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Os Versos de Ouro de Pitágoras.



Os Versos de Ouro, tradicionalmente atribuídos a Pitágoras (c. 580 a.C - 500 a.C), constituem um documento de valor inestimável e que, apesar de escritos há cerca de 2.500 anos, mantêm total actualidade.
Não se sabe, ao certo, quem foi o seu autor, mas é Lísis[1] quem parece reunir maior consenso entre os estudiosos. A cópia mais antiga que chegou até nós é de Hierocles de Alexandria[2], da qual foram feitas diversas traduções para línguas modernas, as quais, no entanto, apresentam algumas diferenças.
Preparação.

1. Primeiro, adora os Deuses Imortais, como eles estabeleceram e ordenaram na Lei.
2. Reverencia o Juramento, e a seguir os Heróis, plenos de bondade e luz.
3. Honra igualmente os Demónios Terrestres prestando-lhes o culto que lhes é legalmente devido.
Purificação.

4. Honra igualmente os teus pais, e aqueles que te são mais próximos.
5. De todo o resto da humanidade, faz teu amigo aquele que se distinguir pela sua virtude.
6. Ouve sempre as suas pacíficas exortações, e toma como exemplo as suas virtuosas e úteis acções.
7. Evita tanto quanto possível odiar os teus amigos por faltas insignificantes.
8. E compreende que poder é um vizinho próximo da necessidade.
9. Sabe que todas estas coisas são como as disse a ti; e habitua-te a superar e a vencer estas paixões:
10. Primeiro a gula, preguiça, luxúria e ira.
11. Não faças nada de mal, nem na presença de outros, nem em privado,
12. Mas acima de tudo, respeita-te a ti mesmo.
13. A seguir, observa a justiça nos teus actos e nas tuas palavras,
14. E não te habitues a comportares-te em todas as coisas sem regra e sem razão,
15. Mas considera, sempre, que é ordenado pelo destino que todos os homens morram,
16. E que os bens da sorte são incertos; e que como podem ser adquiridos, assim podem ser igualmente perdidos.
17. No que concerne a todas as calamidades que os homens sofrem pela divina fortuna,
18. Suporta, com paciência, o teu fado, seja ele qual for, e nunca te lastimes,
19. Mas esforça-te no que puderes corrigir.
20. E leva em consideração que o destino não envia a maior porção destas desgraças aos homens bons.
21. Há entre os homens muitas formas de raciocinar, boas e más;
22. Não os admires nem os rejeites com muita facilidade.
23. Mas se forem ditas falsidades, ouve-os com suavidade, e arma-te com paciência.
24. Observa bem, em todas as ocasiões, o que te vou dizer:
25. Não deixes que nenhum homem, seja por palavras, seja por actos, te seduza,
26. Nem te seduzas tu ao dizeres ou fazeres o que não for proveitoso para ti mesmo.
27. Informa-te e delibera antes de actuares, para que não cometas acções disparatadas,
28. Porque isso é próprio de um homem miserável: o falar e actuar sem reflectir.
29. Mas faz o que mais tarde te não afligir nem te causar arrependimento.
30. Nunca faças nada que não compreendas.
31. Mas aprende tudo o que tens obrigação de conhecer, e assim levarás uma vida feliz.
32. De nenhum modo neglicencies a saúde do teu corpo;
33. Mas dá-lhe bebida e comida na justa medida, e exercita, também, o que de tal tiver necessidade.
34. Por medida quero dizer o que te não incomoda.
35. Habitua-te a um estilo de vida simples e decente, sem ostentações.
36. Evita tudo o que suscitar inveja,
37. E não sejas perdulário sem motivo, como alguém que não sabe o que é decente e honroso.
38. Nunca sejas cobiçoso nem avarento; a justa medida é excelente nestas coisas.
39. Faz apenas aquilo que não pode ferir-te e pondera cuidadosamente antes de o fazeres.

Perfeição.

40. Nunca permitas que o sono feche os teus olhos, depois de teres ido para a cama,
41. Até teres examinado, com a tua razão, todas as tuas acções do dia:
42. Em que é que eu errei? O que é que eu fiz? O que é que eu não fiz e que devia ter feito?
43. Se neste exame achares que fizeste mal, repreende-te severamente;
44. E se fizeste algo bom, regozija-te.
45. Pratica minuciosamente todas estas coisas; medita bem nelas; deves amá-las com todo o teu coração;
46. Elas irão pôr-te no caminho da virtude divina.
47. Eu o juro por aquele que passou para as nossas almas a Tetraktis Sagrada, a fonte da natureza, cuja causa é eterna.
48. Mas nunca deites mão a nenhuma obra antes de teres, em primeiro lugar, rogado aos deuses que aperfeiçoem o que vais começar.
49. Quando fizerdes disto um hábito familiar,
50. Conhecerá a constituição dos Deuses Imortais e dos homens.
51. Verás quão extensa é a diversidade dos seres e aquilo que os contém e os mantém presos;
52. Igualmente saberás que, de acordo com a Lei, a natureza deste universo é semelhante em todas as coisas;
53. Deste modo não terás de esperar o que não deves esperar; e nada neste mundo te será oculto.
54. Igualmente saberás que os homens lançam sobre si mesmos as suas próprias desgraças, voluntariamente, e por sua própria e livre opção.
55. Infelizes que eles são! Nem vêem nem compreendem que o seu bem está junto deles.
56. Poucos sabem como se livrar das suas desgraças.
57. Tal é o fado que prende a humanidade, e lhe rouba a consciência.
58. Como grandes ondas, rolam de um lado para o outro e oprimem-se com males inumeráveis.
59. Pois uma luta fatal, inata, persegue-os por toda a parte, sacudindo-os para cima e para baixo; nem eles percebem isso.
60. Em vez de provocarem e excitarem isso, deviam evitar isso tornando-se úteis.
61. Oh! Zeus, nosso Pai! Se não libertares os homens de todos os males que os oprimem,
62. Mostra-lhes de que demónios se devem servir.
63. Mas toma coragem; a raça do homem é divina;
64. A natureza sagrada revelar-lhes-á os mais recônditos mistérios;
65. Se ela te revelar os seus segredos, facilmente realizarás todas as coisas que te recomendei
66. E pela cura da tua alma, libertá-la-ás de todos os males, de todas as aflições.
67. Mas abstém-te de carnes que nós proibimos nas purificações e na libertação da alma;
68. Faz uma distinção justa das mesmas e examina bem todas as coisas.
69. Deixando-te, sempre, guiar e ser dirigido pela compreensão que vem do alto e que deve segurar as rédeas,
70. Quando, tendo-te despojado do teu corpo mortal, chegares ao mais puro Éter,
71. Serás um Deus imortal, incorruptível e a Morte não mais terá domínio sobre ti.
António Monteiro.

UMA CRISE DE AMOR.


Quando um grupo de duendes, à medida que surgiam da floresta, contemplou essa visão sem precedentes e se deparou com Jimmie carregando seu pequenino amigo duende em seus braços, demonstraram todos uma grande excitação.
Tão natural e exatamente como agiriam os seres humanos, eles chegaram à conclusão de que, pelo menos, um duende tomara-se um traidor de sua gente e de seus familiares. Rodearam Jimmie, permanecendo em uma certa distância e começaram a chamar por seu pequeno companheiro em sua própria língua, que Jimmie reconheceu ser uma espécie de língua universal, mas, mesmo assim, não podia inteirar-se do que eles diziam.
Porém, seu pequeno amigo compreendeu e demonstrou inconfundível indício de tristeza. Finalmente, quando as acusações se tornaram ásperas demais para suportá-las, ele pulou dos braços de Jimmie e correu diretamente para o duende que parecia ser o chefe do grupo. Então, começou a explicar o ocorrido. Jimmie pôde segui-lo perfeitamente, embora ele falasse mais rápido do que qualquer francês que já ouvira falar. Os poderes de gesticulação da criaturinha eram maravilhosos.
Representada diante dele e acompanhada pela apresentação verbal mais rápida que jamais ouvira, Jimmie se deu conta de toda aquela aventura. O pequenino duende daria um incomparável ator se pudesse ser atraído para um palco e possuísse um corpo material. A surpresa com os horríveis elementais; a busca desesperada por onde escapar; a grande luta e o terrível desgaste que rapidamente abria caminho para a certeza da morte; as contorções e os gestos agressivos do círculo hostil ao seu redor; o desespero que se apoderou dele quando cada tentativa para escapar era impedida; depois o grande alívio quando, repentinamente, este grande gigante humano, com essa incrível força de vontade humana colocou-se ao seu lado e tomou sua defesa nessa luta desigual “Vejam”, gritou o duende finalmente, “está tudo bem. Ele é meu amigo. Vejam.”
Neste momento, seu entusiasmo apoderou-se dele e, com um salto enorme, pulou exatamente no ombro de Jimmie e começou a saltar de um ombro para o outro dando, de vez em quando, um tapinha amoroso na cabeça de Jimmie cada vez que saltava por cima dela. Por ele ser uma entidade etérica, isso não provocou nenhum incômodo a Jimmie e era evidente que o grupo de duendes divertia-se imensamente com isso.
Aproximaram-se um pouco mais e Jimmie estava consciente da mudança de atitude de todos eles pelos olhares amistosos que lhe dirigiam, pelo sorriso constante com o qual o cumprimentavam e pelo bom humor com que falavam com seu ativo amiguinho.
Geralmente as vibrações da raça humana são ofensivas para esses pequenos seres pelo fato que a maior parte dos humanos, devido à sua linha habitual de pensar e agir, acumula em seus corpos etéricos grande quantidade de matéria etérica totalmente indesejável.
Em grande parte, isto também é aplicável a seus corpos de desejos e como os duendes estão no limite entre os dois reinos, são muito afetados adversamente por essa razão.
Jimmie não sabia exatamente como proceder e, por isso, fez o que lhe pareceu ser o mais natural possível, sentou-se em um tronco e esticou suas pernas. Um dos duendes mais corajosos, após várias simulações, correu e pulou sobre seus pés tocando um deles levemente com seu próprio pé. Descobrindo que mesmo assim, ele não se machucava, pulou novamente, desta vez aterrisando no pé de Jimmie e imediatamente pulando de volta.
Entretanto, muitos deles haviam subido ao alcance de seus braços e estavam falando sobre ele nas suas vozinhas estranhas e agudas, enquanto ele sentia muitos toques em suas costas e pequenos beliscões em seu cinto e camisa. Isso era perfeitamente possível mesmo que esses pequeninos seres não estivessem no plano físico. Esta incongruência aparente só ocorreu a Jimmie algum tempo depois, pois quando vemos que uma coisa realmente existe, aceitamos o fato sem questionar, jamais parando para considerar que, de acordo com todas as teorias e razões, o fato deveria ser apenas uma fantasia.
Diga-me, Buster - Jimmie disse para o pequeno duende que ele havia salvo dos ele mentais - Qual é o problema com seus amigos? Parece que estão com medo de mim. Diga-lhes que não os machucarei.
Oh, eles são bobos! Estão com medo. Você não vai machucá-los. Você é um amigo.
Começou uma arenga apaixonada em sua própria linguagem e o resultado foi que três duendes vieram e sentaram-se nas botas de couro de Jimmie, enquanto alguns outros aproximaram-se até onde seus braços podiam alcançar, mas percebia-se que estavam prontos para saltar a qualquer momento.
Jimmie sentou-se imóvel, não mexia um só músculo, exceto para falar com Buster, cujo verdadeiro nome ele perguntou em vão, pois a pequena criatura parecia estar orgulhosa do nome que carinhosamente Jimmie lhe dera e a todas as perguntas contestava que Buster era seu nome e que não tinha outro.
Aos poucos a conversa e as garantias de Buster surtiram efeito e o resto dos duendes começou a perder o medo desse ser humano que salvara seu companheiro de um destino tão horrível. Aproximaram-se e demonstraram mais interesse na conversa e Jimmie aproveitou para perguntar a Buster o que teria acontecido a ele se os elementais tivessem ganho a luta. Não tinha a certeza se a morte era possível para um ser que não possuísse corpo físico. Mas o grande alívio e gratidão que Buster havia demonstrado, tomou claro que um resultado adverso do combate teria sido, pelo menos, altamente desagradável para o duende.
Mas Buster não queria pensar no que poderia ter acontecido. Aparentemente não gostava de usar sua imaginação. Como uma criança que só deseja brincar, tomava-se impaciente com qualquer tentativa de fazê-lo pensar seriamente e só se interessava pela diversão na qual estivesse engajado no momento. A irrespon­sabilidade parecia ser a nota-chave de seu caráter e a concentração sobre qualquer coisa, a não ser que estivesse interessado, era-lhe aborrecida. Jimmie finalmente desistiu de tentar e decidiu tornar-se amigo do resto do grupo.
Nisto foi muito bem sucedido, pois os duendes, de imediato, perderam o medo dele e colocaram-se ao alcance de seus braços sem observá-lo, pois não receavam mais qualquer movimento hostil.
Buster - disse Jimmie ao final - diga-me por que seu povo tinha medo de mim. Que mal poderia fazer-lhes?
Olhe - respondeu Buster - sua força de vontade é muito vigorosa. Essa é a razão. Eles não o conheciam como eu o conheço.
Só depois de muitas perguntas foi possível entender a razão da timidez dos duendes, e Buster, com a ajuda de outros que tomaram parte na conversa, finalmente esclareceu Jimmie sobre a causa da má vontade de seu povo em relação à associação com mortais.
Parece que não só as vibrações humanas são geralmente muito desagradáveis aos duendes, mas também a força de vontade humana é tão vigorosa que quando é inteligentemente direcionada, freqüentemente são incapazes de resistir a ela. Isso os torna temerosos da proximidade dos homens, pois alguns seres humanos são dotados de uma ligeira clarividência e, algumas vezes, os clarividentes não são os membros mais avançados da raça. Assim, um mortal de grau inferior, com um pouco de poder clarividente, pode tornar-se muito desagradável para os duendes.
Também foi informado que o contato com um ser humano lhes dá, de certa forma misteriosa, um acréscimo de poder de se tornarem desagradáveis, se esse mortal assim o desejar. Por essas explicações, Jimmie pôde compreender por que os duendes ficaram tão horrorizados ao verem Buster em seus braços e a amizade que reinava entre os dois.
Desde então, toda a reserva foi posta de lado e o grupo imenso de duendes divertia-se pelo conhecimento adquirido sobre o homem. Subiam nele, sentavam-se em sua cabeça, pulavam em seus pés e foi com considerável dificuldade que Jimmie conseguiu parar um e fazer-lhe algumas perguntas. Era como se sua inteli­gência os fizesse semelhantes às crianças - eram capazes de falar e de compreender uma linguagem simples, mas totalmente incapazes de qualquer esforço mental como acontece com uma criança de seis ou sete anos. Mas também como as crianças, seu amor e confiança, uma vez dados, eram sem reservas.
Jimmie passou uma tarde muito agradável com seus amiguinhos até que a aproximação de alguns colhedores de frutos da floresta alarmou-os e eles fugiram depois de fazerem-no prometer outra visita. Havia chegado à conclusão de que para obter maiores e reais informações sobre os duendes, deveria buscar outra fonte além deles. Era a primeira vez que entrava em contato com os Espíritos da Natureza ou elementais. Resolveu averiguar mais sobre eles, uma vez que era evidente que ao encontrá-los vislumbrou outras das mansões da Casa de nosso Pai, que está tão plena de maravilhas.
Quando os duendes sumiram, regressou à sua casa caminhando lentamente e repassou em sua mente as coisas que escreveria em sua próxima carta a Louise e pensando um pouco, também, como ficaria feliz quando ela voltasse novamente para casa por a guerra ter terminado e a paz finalmente declarada. Ele teria que trabalhar muito para compensar o tempo perdido e ganhar o dinheiro para adquirir a casinha que tanto queria. E também a grande obra não deveria ser esquecida, pois precisava planejar, de alguma maneira, a forma de alcançar o maior número possível de pessoas que estão tão ávidas por uma migalha de conhecimento espiritual, e que, freqüentemente, são alimentadas com pedregulhos em lugar de migalhas. Afinal, o mundo era um bom lugar para viver, sobretudo para quem quiser trabalhar, e começou a sentir a sensação de alegria, que é a recompensa de todo trabalhador zeloso, pela qual pode-se imaginar a bênção que há de ser a parte dos grandes Irmãos da Luz que empregam sua energia no serviço pela humanidade, renunciando ao descanso e à própria paz no céu para servir.
Enquanto retomava, recapitulou tudo como em uma espécie de sonho, tão fascinado estava pelas esperanças e planos que havia feito e pelos castelos no ar que havia construído. E, através de tudo isso, corria aquela perigosa veia de vaidade que, com tanta freqüência, se insinua juntamente com outras e mais grosseiras formas do mal e que deveríamos esforçar-nos por lançar fora. Ainda não tinha consciência que era vaidade, mas, se tivesse parado para analisar, perceberia que todos os seus sonhos estavam firmados naquilo que ele faria, no serviço que ele executaria, e que aí faltava aquela grande qualidade do trabalhador devotado, isto é, um agradecimento ao Mestre por ter-lhe dado a oportunidade de servir.
É a diferença sutil entre a alegria louvável do serviço e o orgulho injustificável do serviço que, com freqüência, faz nossos depósitos na tesouraria celestial serem de humilde prata ao invés de régio ouro.
Mas Jimmie não tinha consciência deste sinistro contexto que corria através da urdidura de seus sonhos. Apoiava-se na felicidade que esperava possuir e também na possibilidade de poder voltar para a França antes do “espetáculo” terminar, pois cobiçava uma das medalhas de mérito e estava decidido a obter urna ainda que tivesse de capturar, sozinho, todo um exército alemão. Neste momento, não podia deixar de sorrir para si mesmo, pois sua imaginação apresentava-lhe quadros onde conduzia à sua frente toda uma companhia de “Fritzies”, e com esse sorriso, voltou para a terra novamente.
Foi um Jimmie feliz e entusiasmado que regressou ao quartel naquela noite, cantando uma canção que havia sido uma das favoritas nas trincheiras e, literalmente, estava borbulhando de esperança e irresponsabilidade. E lá estava, sobre sua mesa, uma carta da França, de Louise.
Pegou-a rapidamente e sentiu uma pequena inquietação por ela ser tão leve, mas esta impressão foi semiconsciente quando rasgou o envelope em sua ânsia de saber o que a carta continha.
Seu rosto transformou-se ao ler as primeiras linhas e a carta pendeu de suas mãos. Não disse nada, mas apoiou-se na parede. Depois de alguns minutos apanhou a carta do chão e leu-a outra vez. Era cruelmente curta.
Prezado Sr. Westman”, dizia, “estou prestes a voltar para casa no próximo navio e escrevo-lhe para que não mais envie cartas para a França. Pensando melhor estou convencida que nosso compromisso não foi o resultado de um conhecimento suficientemente longo, assim, deixo-o livre e penso que seria melhor deixar o caso terminar aqui.
Espero não receber mais cartas suas e tenho a certeza que respeitará meus desejos e que irá esquecer que eu, algum dia, entrei em sua vida. Com os melhores votos por sua felicidade futura, .”
Jimmie sentiu-se atordoado. As outras cartas que recebera de Louise eram geralmente curtas, pois sabia que ela trabalhava muito e desculpava-se por isso, mas, naquelas cartas curtas, quase notas, ela jamais havia escrito uma palavra de arrependimento pelo compromisso que tinham assumido. Motivos de toda espécie passaram por sua mente, mas eram rejeitados por serem indignos dele ou de Louise.
Talvez houvesse encontrado alguém a quem amasse mais. Essa era uma possibilidade, admitiu para si mesmo, mas não explicava o tom lacônico e a rispidez da carta. Talvez tivesse - Oh!
Não podia acreditar que ela realmente tivesse escrito o que transmitiu. No entanto, se não escreveu o que realmente passava por sua mente, por que escreveu?
Não era obrigada a escrever. Não havia uma só lei que a forçasse a escrever. Com certeza não podia estar zangada com ele, pois sabia que ele tinha sido obrigado a obedecer ordens e que deixara a França contra sua vontade. Estavam em tempo de guerra, ordens eram ordens e Louise sabia disso tanto quanto ele, pois ela estivera próxima à frente de batalha onde homens morriam todos os dias devido a estas mesmas “ordens”.
Quanto mais pensava no assunto, mais percebia o quanto seu amor por Louise era um sentimento muito profundo e muito forte. Recordava-se bem, da maneira gentil e bondosa com que ela sempre o tratara; as pequenas coisas que fizera por ele quando se encontrava desamparado; como ela permanecera acordada, embora necessitasse tanto desse sono, para ler-lhe algo quando o nervoso pelo choque da convulsão o atormentava. Certa vez quando estava deitado, sem muita dor, mas quase gritando devido ao horror daquele nervosismo dilacerante, ela sentara-se ao seu lado colocando a mão em sua testa, acalmando-o com pequenos versos de poesia, trechos de hinos, tudo que pudesse recordar para aliviar seu estado de tensão, tirar seus pensamentos daquela situação estranha e peculiar que era o resultado da explosão que sofrera e cujos efeitos são sempre diferentes em cada caso.
Agora, depois de estar curado - tolice! com carta ou não, ele não acreditaria no que estava escrito naquele papel até que ela confirmasse com suas próprias palavras. Iria encontrá-la para ouvir a verdade de seus próprios lábios.
Era característica de Jimmie que em todas as desculpas, motivos e explicações que havia forjado em sua mente, jamais suspeitou que Louise o abandonara por razões financeiras. Era o melhor e mais nobre tributo que podia colocar aos pés de sua amada e analisando todos os motivos imagináveis que justificassem sua atitude começou a temer que, de alguma forma, involuntariamente, ele a houvesse ofendido. No entanto, nenhuma vez pensou em um motivo baixo, vil ou mercenário por parte dela. Se ela soubesse disso, seu coração ter-se-ia enternecido, mas Jimmie estava tão inconsciente do assunto quanto ela; acrescentar um motivo indigno à sua carta jamais lhe ocorreu.
Conhecia a cidadezinha onde ela morava. Calculou que, por causa da lentidão do serviço postal na França, ela provavelmente já teria regressado e estaria em casa antes da chegada da carta. O pensamento agitou-o, e decidiu pedir uma licença de uma semana e ir até ao fim para solucionar esse caso.
Mas não foi fácil conseguir uma licença em tempo de guerra. Sabia que necessitava pelo menos de um dia para chegar até a casa de Louise, outro dia pra voltar e mais um dia para lá permanecer. Se as conexões estivessem ruins, poderia até levar mais tempo, portanto, decidiu pedir uma semana.
Aquela noite, ao dormir, resolveu chamar Marjorie e, efetivamente, ao despertar nas agora já familiares condições do Mundo do Desejo, teve consciência plena de que Marjorie vinha ao seu encontro. Portanto, não ficou surpreso quando essa linda jovem, sorrindo e, evidentemente, com um excelente bom humor, apresentou-se a ele.
Jimmie começou logo a contar-lhe a história de sua aflição na esperança de Marjorie sensibilizar-se com ele e se prontificar a ajudá-lo. Mas calculou mal, pois tudo que sua anfitriã fez foi rir-se dele. Se as pessoas que julgam que o outro mundo seja um lugar de tristeza fúnebre, de desespero e desesperança, como ficariam surpresos ao presenciar aquela cena e como perderiam o temor da morte.
Marjorie estava morta. Esta jovem havia sido arrebatada de sua família por aquele implacável Rei dos Terrores e, de acordo com todas as crenças geralmente aceitas, ela podia ser tudo menos o que realmente era - feliz, alegre com a pura alegria de viver feliz devido às condições nas quais vivia, livre de todas as necessidades limitadoras da vida física, dor, exaustão, as dez mil pequenas coisas que jamais se elevam além do umbral da consciência, mas que agregadas equivalem a um desconforto contínuo. Mas, acima de tudo, feliz pois não estava separada de sua família, ainda que eles estivessem separados dela.
Esta condição, aparentemente anômala, derivava do fato de que todas as noites ela podia encontrá-los no plano do desejo, falar com eles e “visitá-los”, e embora eles não pudessem conservar a mem6ria desses encontros, para ela não existia essa limitação. Assim percebia-se verdadeiramente que toda separação estava do lado deles, não do dela. Por esse motivo, não há por que surpreender-se e reconhecer sua felicidade. Por que não haveria de sentir-se feliz?
Mas Jimmie pensou que ela estava feliz demais, pois ele sentia-se muito infeliz ou julgava-se estar assim, e precisava de consolo. Além disso, embora não admitisse, esperava que Marjorie dissesse alguma coisa sobre Louise e por que havia agido daquela maneira. Pressentia que Marjorie devia saber. Não seria correto perguntar, mas, talvez, ela proferisse, espontaneamente, algumas palavras de consolo. Esses pensamentos de Jimmie não passaram desapercebidos a Marjorie por nenhum momento, e era por isso que ela estava rindo. Jimmie havia chegado à conclusão que era muito importante e esta era uma lição que ele deveria aprender sobre o assunto.Prentiss Tucker.

domingo, 24 de outubro de 2010

Deixe a Semente Germinar.


É perigoso forçar o que não se conquistou. Esta advertência que é correta do ponto de vista prático e físico, constitui uma verdade ainda maior sob o ponto de vista espiritual.
No mundo material este fato é aparente: uma criança que passa para a série seguinte sem ter assimilado as disciplinas do ano anterior terá certamente imensa dificuldade, e a experiência pode ter até uma influência negativa na sua capacidade de aprendizagem, durante muito tempo. Quando alguém, sem preparação ou experiência prévia é promovido a algum cargo ou atividade, a sua incompetência deixa-o em desvantagem idêntica, podendo mesmo prejudicar outras oportunidades ou futuras possibilidades.
A um nível mais elementar, aqueles que, por meio de uma prática indevida, chantagem, artimanhas ou força, apropriam-se de coisas, situações, serviços ou projetos de outros, contrariam a Lei de Conseqüência, e, mais tarde ou mais cedo, colherão o resultado.
Sabemos mesmo que muitas vezes até as dádivas obtidas livremente, ( por amizade, por exemplo) pode constituir um perigo para aqueles que não desenvolveram (conquistaram) o discernimento e o senso necessário, através da própria experiência . Daí também a necessidade de aprendermos a utilizar o discernimento.
Sob o ponto de vista espiritual e esotérico as conseqüências que advêm do apressar ou do abortamento de conhecimentos ou capacidades que ainda não merecemos, podem ser muito mais graves, profundas e de longa duração. Os que se utilizam de meios artificiais (como drogas e exercícios respiratórios) , ou mesmo de exaustivo trabalho intelectual, poderão, provável e temporariamente dotarem-se de “poderes” .
No entanto, a prática demonstrará o seu valor, e a utilização desses falsos poderes, desprovidos ainda de legitimidade e tingidos de interesse pessoal, fará seu possuidor confrontar-se com graves problemas.
Se a má utilização de poderes espirituais, mesmo inocente ( inconscientemente ) traz já graves conseqüências, o seu mau uso de forma deliberada é evidentemente a violação mais flagrante da Lei Natural, que um dia trará conseqüências inevitáveis.
Que nossa preocupação principal, longe de ser a de adquirir capacidades espirituais ”fantásticas” ou grandes conhecimentos, seja a de viver o melhor possível com os talentos que já possuímos , deixando a “semente germinar” na paciente perseverança em fazer o bem, certos de que, no momento propício seremos Verdadeiramente Iluminados.Maria Lázara Franzini.

Adaptabilidade A Chave Para o Progresso.


Como chispas divinas do Deus de nosso sistema solar, possuímos potencialmente os poderes do nosso Criador. Esses poderes estão latentes e o propósito da evolução é convertê-los em poderes dinâmicos. Isso é feito através de ciclos evolutivos que possuem em si 3 fases: uma constrói, outra mantém e uma terceira dissolve, transforma e renasce em outro ciclo.
Os três poderes divinos são absolutamente necessários para manifestarmo-nos como seres divinos, mas são distintos em sua natureza.
Esses três poderes de Deus são:
Vontade: se expressa como poder criador , no sentido de dar origem, poder de expressar controle através do intelecto em todos os seus aspectos (razão, juízo, conhecimento, dedução. Também é o poder de destruir o que está cristalizado. É o aspecto do PAI. Está relacionado com o Mundo do Espírito Divino e vibra na cor azul.
Amor-Sabedoria: se expressa como força de atração, coesão, receptividade, imaginação, sentimento, intuição, memória, conservação, proteção, alimentação e concepção. É o aspecto do FILHO. Está relacionado com o Mundo do Espírito de Vida e vibra na cor amarela.
Atividade: se expressa como a força de movimento que impede a inércia e produz germinação, desenvolvimento, crescimento, expansão, originalidade, epigênese. É o aspecto do ESPÍRITO SANTO. Está relacionado com o Mundo do Espírito Humano e vibra na cor vermelha.
O desequilíbrio atual que a humanidade enfrenta teve origem na falta de adaptabilidade por parte do ser humano em aprender as lições apresentadas pelas Hierarquias Divinas
Podemos dizer que a humanidade atual possui três grandes grupos de pessoas onde cada um caracteriza-se por uma fusão harmoniosa de dois aspectos divinos, realizando sua atividade positiva no mundo com relação a estes, mas que estão em desequilíbrio com o terceiro aspecto, o qual agora procuram desenvolver a fim de manifestarem-se como "deuses". Assim temos:
1° Vontade/Amor-Sabedoria: Os que respondem a essa fusão (razão-imaginação), carecem do aspecto prático. Podem ter idéias magníficas, mas sentem dificuldade em levá-las à ação. Não gostam da vida ativa, podendo chegar ao escapismo.
Sua lição é a de que a espiritualidade é uma forma prática de viver, e que o futuro depende do agora. Regra geral serão as necessidades materiais que os farão aprender o que necessitam.
2° Vontade/Atividade: São os gigantes intelectuais de nossos tempos. Com sua força de vontade para agir podem passar por cima de todos os obstáculos, inclusive amigos e familiares, se necessário for para alcançar seus obje­tivos. Talentosos e espertos, mas geralmente carentes de amor, esses indivíduos são eminentemente práticos e eliminam de suas vidas tudo o que para eles for inconveniente. Seu extremo é a tirania.
A lição aqui a ser aprendida é clara: é a do amor e da compaixão, o que será alcançado depois de suportar muita hipocrisia e falsidade.
3° Amor-Sabedoria/Atividade: Contrariamente ao anterior esse grupo "perde a cabeça" por causa do coração e dos sentimentos. Sacrificam tudo e todos a fim de estar sempre perto do objeto de suas afeições - que pode ser uma pessoa ou um ideal. Em casos mais sutis jogam com os sentimentos dos outros provocando emoções difíceis de serem controladas. Seu extremo é a degeneração sexual.
Precisam desenvolver o discernimento e aprender a canalizar suas emoções para propósitos justos para a humanidade.
As experiências que visam testar a nossa capacidade de adaptação na grande maioria das vezes aparecem nas trivialidades do dia a dia, e se formos observadores, logo veremos revelados os pontos débeis de nosso caráter que devem ser fortalecidos.
Gradualmente toda a humanidade aprenderá a lição que constitui o moto da Fraternidade Rosacruz
Reto Pensar:uso correto do princípio da Vontade.
Reto Agir: uso correto do princípio da Atividade.
Reto Sentir: uso correto do princípio do Amor-Sabedoria.
Maria Lázara Franzini.

Um Tratado Musical de Alquimia Atalanta Fugiens.

Em 1618 aparecia em Oppenheim (Renânia) a obra da qual podemos admirar, ainda hoje, o soberbo frontispício: "Atalanta Fugiens", de Miguel Majer.
O autor, ou melhor, os autores, uma vez que o editor João Teodoro de Bry é, provavelmente, também, o gravador, nele se declaram poetas, gravadores e músicos. Miguel Majer, nascido em 1568, em Rendsburg (Holstein) e falecido por volta de 1631, era formado em medicina.
Entrou para o serviço do Imperador Rodolfo II, em Praga, inicialmente como físico ou médico. Passou depois para secretário particular, par ser, enfim, elevado à dignidade de conde do conselho Imperial (conde palatino). Era alquimista e rosacruciano.
João Teodoro de Bry, nascido em Liége, em 1561, era filho do gravador e editor com o mesmo nome. Retomou, quando da morte do pai, as actividades profissionais deste. Pertencia à religião reformada.
A obra de Majer e de Bry é um autêntico tratado de ocultismo em cinquenta "emblemas esotéricos". Cada "emblema" comporta três elementos: um "epigrama", breve poema alegórico em latim, acompanhado da sua tradução em alemão; uma gravura simbólica e uma "fuga" a três vozes, escrita sobre os dois primeiros versos do epigrama.
Um título indica a significação geral de cada emblema. Cada um deles transpõe um mito antigo, conferindo-lhe uma ressonância alquímica.
O ponto de partida, ilustrado no frontispício, tem por base a lenda da deusa Atalanta (também chamada Ártemis e mesmo Diana, pelos Gregos e Romanos). Podemos seguir a sua aventura no enquadramento do título: à esquerda, no Jardim das Hespérides (as três ninfas no alto da gravura, são Aegle, Aeretusa e Hespertusa), guardado pelo dragão de sete cabeças (igualmente em cima), Hércules apossa-se dos frutos de ouro.
Três deles caem nas mãos de Afrodite (Vénus) que, mortificada pela feroz castidade de Atalanta, os entrega ao belo Hipomanes com a missão de a seduzir.
Hipomenes, conhecendo o estratagema pelo qual Atalanta se livrava dos pretendentes, resolver enganá-la. Atalanta impunha-lhes uma prova de corrida. Se o pretendente a vencesse, teria direito a desposá-la. Caso contrário, teria a cabeça decepada - o que sempre acontecia, uma vez que Atalanta era mais leve e mais veloz do que qualquer mortal.
Hipomenes colocou-se entre os concorrentes. No momento da prova atirou os três frutos de ouro para a frente de Atalanta. Esta, curiosa, ou um tanto cúpida, abaixou-se para os examinar e recolher e, com isto, perdeu algumas passadas, o que bastou para que Hipomenes a vencesse (em baixo, à esquerda da gravura).
A união consumou-se num templo consagrado a Zeus ou a Deméter (em baixo, à direita). Irritado por semelhante acto de profanação, o deus (ou a deusa), transformou-os respectivamente em leão e leoa (em baixo, à direita).
As gravuras e o sentido geral dos "emblemas" foram admiravelmente analisados e explicados por J. Van Lennep. As fugas musicais permanecem mais misteriosas e demandariam um longo e minucioso estudo. Todavia, um exame sumário talvez não seja desprovido de interesse. Vejamos a fuga número 1, aqui transcrita em notação moderna.
Não se trata de uma "fuga" como a entendem os tratados clássicos em uso nos conservatórios. Apenas as duas vozes superiores são tratadas em cânon, mas à quarta inferior. A voz mais grave é tratada em cantus firmus ou teneure. A voz mais aguda, no sentido em que a entendiam os teóricos do século XVII, isto é, a "fugida". Representa, normalmente, Atalanta fugitiva, como o indica o compositor: Atalanta seu vox fugiens.
A Segunda voz, que e segue em cânon rigoroso na Quarta grave, personaliza Hipomenes. O cantus firmus, enfim, todo em valores longos, representa os frutos atirados a Atalanta.
Atalanta (primeira voz) representa o Mercúrio volátil (ou a Lua); Hipomenes (Segunda voz) o enxofre activo ou o sol alquímico. A terceira voz representa os frutos de ouro, frutos da imortalidade, mas também o símbolo do conhecimento.
Essas curtas peças musicais, cuja realização necessita, por vezes, de uma douta exegese contrapontística, não são, longe disso, obras-primas. Neles descobrem-se (cf. o exemplo acima) imperícias, na verdade erros que um estudante de conservatório, mesmo nos nossos dias, renegaria com horror.
Pode-se questionar a respeito da utilização que dela pretendia fazer os seus autores. O texto preliminar teria uma função equivalente à dos corais de Lutero: "serem lidas, meditadas, compreendidas, julgadas, cantadas e ouvidas".
Isso constituiria um método para gravar na memória do adepto o primeiro dístico essencial de cada poema que comenta a gravura correspondente.
J. Van Lennep lembra-nos que o Imperador Rodolfo II (em Praga), bem como o duque Vicente de Gonzaga (em Mântua), ambos alquimistas experientes, eram, para os músicos, mecenas esclarecidos e generosos. Ambos possuíam uma prestigiosa capela de música. O primeiro protegeu - entre outros - o compositor flamengo Filipe de Monte (1521-1603), e o segundo financiou o Orfeu, de Cláudio Monteverdi, cujo simbolismo foi, por certo, amplamente inspirado pelo comanditário.
J. Van Lennep adianta ainda que a música servia para dissipar a melancolia saturnina, que se apoderava dos alquimistas durante as longas noites de vigília diante do forno. Imagina-as então enganando a espera, cantando as "fugas" da Atalanta Fugiens. Supõe ainda que tais "fugas" também foram cantadas pelos membros da Fraternidade Rosacruz, a que Majer pertencia e que outorgava à música extrema importância
Revista "Rosacruz", Fraternidade Rosacruz de Portugal.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

BILHETE DE ENTRADA PARA O MISTERIOSO MUNDO DAS PLANTAS.


Na cidade dos Celtas, Citânia de Briteiros, próximo da cidade, berço de Portugal, Guimarães, cujas ruínas, tal como essa antiga civilização, estão envoltas em algo misterioso, viviam dois jovens adolescentes, muito amigos, bastante atentos a tudo o que os rodeava e bem conhecidos nessa antiquíssima cidade, cerca de 800 anos antes de Cristo. Um deles, de nome Altino, era um moço alto, forte, de olhos esverdeados e cabelos loiros, o outro, de sexo feminino, era a bela Júlia, de olhos castanhos e de encantos tamanhos.
O Altino fazia anos no princípio de Fevereiro, era por isso do signo Aquário e como tal, de carácter progressista, amigo da Liberdade e da Fraternidade. Quanto à sua encantadora amiga comemorava o seu aniversário natalício em meados de Dezembro, portanto do signo de Sagitário, amiga do contacto com a Natureza e de Ideais Superiores. Não admira que, entre eles, houvesse entendimento e harmonia fisiológica, pois ele era dum signo de ar e ela dum de fogo e, como o fogo precisa de ar para se exprimir, eles eram amigos por natureza, mas leais e puros nas suas relações.
Perto dessa cidade vivia um sábio, de nome Siegfried ou Siguefredo, homem muito idoso, do qual ninguém sabia a idade, pois sempre o tinham conhecido assim. Morava numa quinta maravilhosa, onde as plantas cresciam e viviam por artes que pareciam mágicas.
Conhecedores deste fato, os dois jovens, sequiosos de saber, decidiram visitar o sábio.
Mal tinham andado duas centenas de metros, quando chegaram à entrada da quinta, onde encontraram Siguefredo, esperando por eles!
Entrem amiguitos - disse o sábio, perante a admiração dos dois jovens que lhe perguntaram:
Como sabe que nós desejamos visitá –lo?
Captei os vossos pensamentos, por isso já sabia que viriam - informou Siegfried.
Altino e Júlia olharam um para o outro e interiormente disseram:
Será isto telepatia? Quando será que teremos esse Poder?
O sábio, que leu novamente os seus pensamentos, esclareceu-os, dizendo-lhes:
Estudem e trabalhem, dentro das Leis Divinas, que esse é o caminho mais seguro e recto para obter esse Poder, que permite não só captar longe os pensamentos, como lê-los, o que é superior à telepatia. Mas deixemos isso e vamos ao que vos trouxe e vos interessa saber que é conhecer um pouco do mundo maravilhoso das plantas.
Sim, é precisamente isso que nós queremos aprender - disseram os jovens que lhe perguntaram:
Como é que consegue ter sempre plantas tão belas e tão vigorosas?
Saibam, meus amigos, que aqui tudo é semeado, plantado, transplantado, podado e colhido em dias e, por vezes, até horas apropriadas para o trabalho. Há dias bons para arrancar ervas daninhas, há dias bons para deitar à terra as sementes das flores de forma a que cresçam mais belas e exalem maior perfume, etc. Mas isso não é o suficiente, é necessário saber tratar dos terrenos e ter vivido de tal forma que não se esteja sujeito aos efeitos das pragas dos insectos. Estes têm a sua origem nos maus pensamentos, desejos e acções de cada qual e também no seu conjunto, ocasionando então destino colectivo. É necessário ainda tratá-las com carinho. Se as tratamos mal elas ressentem-se- disse o sábio, perante um silêncio atento dos dois jovens.
Então as plantas também gostam de Amor! – Exclamaram Altino e Júlia.
Precisamente, o Amor é a base de todas as relações, o entusiasmo e o carinho é o fio que as liga – Respondeu o sábio.
Ao lado do Altino e da Júlia estavam lindas rosas, que exalavam um perfume muito agradável.
Admirados com a sua beleza e embriagados com os seus perfumes, perguntaram a Siegfried:
Estas plantas devem sentir uma grande vaidade pelos seus lindos vestidos e pelos seus agradáveis perfumes?
Não – disse o sábio, que acrescentou: - Elas apenas sentem a sã alegria de poderem dar um pouco de prazer aos nossos olhos e ao nosso olfacto e de contribuírem para que os seres humanos sejam mais amigos da beleza natural do que da artificial. A vaidade é a glória das almas pequenas, das pessoas de pouco valor, que querem parecer grandes aos olhos do mundo.
Então nós não devemos vestir bem e andar limpos? – Perguntaram os dois jovens.
Vestir com gosto e higiene está correcto, o que está mal é a vaidade, o luxo, a moda extravagante, etc. – esclareceu o sábio, acrescentando:
Lembrem-se que, se o Criador veste a rosa com estas cores tão belas e lhes dá este perfume que nos delicia, muito melhor vestirá o ser humano que cumprir as Suas Leis. Então da sua cruz florescerão as rosas e sairá o perfume eterno.
Nesse caso deverá ser esse vestido que nós devemos procurar obter? – Perguntaram Altino e Júlia.
Sim, o que vos deve interessar é procurar o reino da Verdade, da Luz e do Amor Superior e tudo o resto vos será dado por acréscimo – esclareceu o sábio.
Júlia, ao sentir-se fortemente atraída por um botão de rosa, de cor branco – pérola, pediu ao mestre:
Posso apanhar este belo botão?
Sim, minha amiguinha, mas tem cuidado não te piques – respondeu o sábio, que acrescentou: - os picos servem para nos lembrar que para sermos dignos do perfume das rosas e de vestirmos tão belas cores, teremos de vencer os picos da nossa natureza inferior, os maus instintos que só ferem e nos fazem sofrer.
A Beleza da Rainha das Flores, símbolo de Amor, de Luz e de Virtude.
Esta ei-la já no estado de madura, abrindo os seus órgãos reprodutores em direcção ao Sol, onde estão, os masculinos e os femininos.
Depois de florirem eis a mutação final para a reprodução, formando um fruto onde estão as sementes, base para a criação de novos filhos.
PÉTALAS NUM FORMATO DE PENTAGRAMA.
Ao lado estava uma árvore frondosa, cheia de pequenitos frutos. Altino, quando os contemplava, perguntou: Mestre, como se faz a reprodução nas plantas?
Colhendo uma flor hermafrodita, o sábio começou a esclarecer:
Escutem com atenção o que vos vou dizer. A planta tem os seus órgãos sexuais voltados para o Sol e faz a reprodução com pureza, mas de forma inconsciente. Nós temo-los para baixo, e, como somos de sexo diferente, precisamos da outra metade ou lado para podermos reproduzir o que é feito com consciência. As plantas são, na sua maioria, hermafroditas, como é o caso desta flor, onde estão os órgãos masculinos, estames, que são estes, e os femininos, cujo conjunto são os carpelos.
Os órgãos masculinos são semelhantes aos do Altino, têm filamentos ou o filete e na ponta está uma cabeça, a que lhe deram o nome de antera, onde se encontra o pólen, que contem grãos, uns são esporos e outros têm células com esperma, as gâmetas, que, quando caiem nos órgãos femininos, semelhantes aos da Júlia, dão origem à reprodução.
Os femininos têm uma entrada, que se chama estigma, parecida com a vulva feminina, onde cai o pólen, grãos de semente com esperma. Esse estigma é viscoso, isto é, pegajoso, para que o pólen seja fixado, passa por este tubito que estais vendo, que se chama estilete, de função análoga ao canal entre a entrada e o útero da mulher, até que chega a esta zona, que, agora, acabo de abrir e que se chama o ovário, onde se encontram os óvulos. É então que tem lugar a fertilização com o nascimento das sementes e dum novo fruto. Isto nas plantas é feito sem mancha, de forma casta e só quando elas reúnem condições físicas para tal. O mesmo deverá ser no ser humano, que deverá saber aguardar e preparar-se para ter condições para isso.
O que é que acontece? – Perguntou Siegfried – se mexerem naquele botão de rosa e tentarem abri-lo antes do tempo de desabrochar por si?
Murcha e não será uma rosa – responderam Altino e Júlia.
Pois é isso o que acontece, quando se mexe em algum botão de rosa, ser humano, antes do tempo, ele ou ela murcha e perde o encanto – acrescentou o sábio.
Se bem percebi existe também para nós uma forma de fazer subir as energias sexuais, tal como nas plantas? – Perguntou Júlia.
Sim, esse tem sido o meu caminho – esclareceu Siegfried, que acrescentou: - É preciso amar em obras e em verdade toda a criação, inventar algo de original e útil para a humanidade e para todos os reinos, criar obras originais sejam literárias, musicais ou artísticas e fazer tudo com pureza. Então a energia que não é empregada na reprodução, sobe pela coluna vertebral, em forma serpentina, e vai activar a glândula pineal, localizada no cérebro, que se assemelha a um fruto, em forma de pinha.
Não se esqueçam, porém, que a maioria de vós deverá casar. A abstinência total é só para seres muito superiores. Esta não é sinónimo de castidade. Enquanto na abstinência absoluta, quando imposta por si ou por outras circunstâncias, pode não existir pureza nos pensamentos, na castidade ela existe, podendo até ter lugar a reprodução.
Mestre e jovens continuavam percorrendo a quinta até que, reparando no musgo duma árvore já secular, o Altino lembra-se de perguntar:
Mestre, quais são os seres adiantados e os atrasados no reino vegetal?
Os mais adiantados são as árvores. Quanto aos mais atrasados temos os musgos, os quais, contudo, exercem uma valiosa função para o meio ambiente. As formas em todos os reinos ou avançam ou degeneram e, neste caso, podem cristalizar. Então aparecem no reino mineral, como é o caso do carvão de pedra, que teve origem na madeira petrificada e da mica do granito que é o resultado da cristalização de flores pré-históricas! - ensinou o sábio.
Por isso há que progredir e não degenerar. Não é assim meus amiguitos? – Perguntou Siegfried.
Não há dúvida, responderam os dois jovens em uníssono.
Venham por aqui – disse o Mestre.
Umas dezenas de metros percorridos e o sábio parou e disse:
Estão vendo estas duas plantas?
Estamos, sim – responderam, acrescentando: - estão doentes! Na sua quinta parece impossível?
O que se passa é muito profundo – esclareceu o sábio, que acabou por explicar, dizendo: - a planta cujas flores nos fazem lembrar os órgãos sexuais masculinos dos seres humanos é do signo Escorpião, que rege os genitais, aquela é do signo de Leão. Esta é do signo de fogo; a outra, de água; logo fogo e água não se dão. Temos de separá-las.
Se quiser, fazemos isso – disseram os jovens.
Hoje, não é dia apropriado para esse trabalho. A Lua está no signo de Carneiro, só é bom para arrancar ervas daninhas. Obrigado, no entanto, pelo vosso espírito de colaboração, que prova o vosso desejo de progresso – respondeu o sábio.
Nesse caso, então, entre as plantas também há inimigos – disse o Altino.
Não é bem isso, mas sim desarmonias fisiológicas, electromagnéticas, como existe entre as pessoas. Há algo invisível em tudo, muito está por descobrir. A Vida está em toda a parte, tudo interpenetra. Por isso, sejam amigos das plantas, deitem sementes à terra, plantem árvores, flores, reguem-nas, tratem-nas com amor, tendo muito cuidado com o fogo. É um enorme crime deitar fogo às florestas, os incendiários cá as pagarão, nesta vida, ou quando reencarnarem, com provas de expiação, que poderão ser de demência. É que perante as Leis Divinas todos somos iguais, sejamos ricos ou pobres, soldados ou generais – esclareceu o sábio.
Bem, por hoje chega e muito obrigado por tudo – disseram os jovens.
Obrigado eu, por permitirem que vos fosse útil – respondeu Siegfried.
Altino e Júlia despediram-se com um forte e fraterno abraço, regressando à cidade.
Passaram anos, poucos, de vivo e alegre namoro, até que decidiram, juntos pelo matrimónio, seguirem os conselhos do sábio.
E os resultados foram excelentes para eles e para os 7 filhos que tiveram, quatro meninas e 3 meninos, todos belos e saudáveis, que faziam parar as pessoas para admirar tanta beleza.DOMINGO DE LA ROSA.

VIDA MAIS ABUNDANTE.


A grande mudança vulgarmente designada como “morte” não faz distinção de pessoas. Pode acontecer na juventude, na meia idade ou na velhice. Mas, em algum momento da vida, todos são chamados a deixar suas vestes físicas de lado e fixar-se novamente em reinos além da nossa esfera de conhecimento.
Sabendo que esta mudança é inevitável, certamente é imperativo que aprendamos, o máximo possível, sobre a grande transição. Para os menos esclarecidos, este fenômeno tem sido sempre uma questão que está além do entendimento e, comumente, quando somos chamados para enfrentá-lo, enchemo-nos de uma série de perplexidade e, no mínimo, de um reprovável terror. Esta apreensão, contudo, nem sempre existiu. No passado longínquo, quando a consciência do homem estava mais focalizada nos reinos espirituais do que no material, a perda de seu corpo físico era quase imperceptível. Ele se conhecia como espírito e sua veste física como algo adquirido, destinado para uma vida mais curta ou mais longa, e que, por fim, tal como uma folha de uma árvore, desprendia-se dele para ser substituída quando de novo fosse necessário.
Não foi senão quando o homem perdeu a visão de seu habitat celeste e de que era um espírito imortal ocupando de tempos em tempos um corpo físico, que ele começou a identificar-se com o veículo material e passou a considerá-lo como seu “Eu real” e, daí, o medo de uma possível existência sem ele. De fato, um grande número de seres tem suas consciências focalizadas no mundo material de tal forma, que chegam a acreditar que são apenas um corpo físico e que sua existência cessa no momento em que a morte aniquila este corpo.
Parece quase impossível, para o homem espiritualmente esclarecido, que tal condição ainda possa existir. Infelizmente, ainda temos evidência disto em torno de nós e por toda a parte. As pessoas, com desespero, vêem partir seus assim chamados mortos, pouco compreendendo que um Espírito liberto está retornando ao seu lar no mundo celeste para continuar uma ininterrupta existência.
Ainda que não houvesse nenhuma outra razão senão o conforto daqueles que conhecem os fatos relacionados à assim chamada morte, examinemos a verdade em relação a este peculiar fenômeno.
O homem, o “Eu real”, é puro Espírito, diferenciado no Corpo de DEUS, o qual é todo o Sistema Solar, ambos com aspectos visível e invisível. Seu destino é tornar-se um Deus como seu Divino Criador, segundo o Iniciado Paulo. A fim de desenvolver seu poder divino em potencial, o homem passa através de várias fases de evolução, desde a mais etérea à mais densa, deparando-se com experiências as quais, lentamente mas seguramente, desenvolvem suas capacidades latentes. Durante uma fase do seu desenvolvimento, ele habita este plano terrestre, de vez em quando, usando um corpo físico. Mas somente uma pequena parte de seu tempo é passada aqui. O resto é vivido nos reinos suprafísicos onde ele recebe outra instrução e lhe são dadas outras tarefas a realizar como exercício, todas com o objetivo de desenvolver suas forças potenciais latentes em energia dinâmica pronta para ser usada a qualquer momento e controlada diretamente por seu próprio Espírito que é o seu Eu real.
Cada vez que um indivíduo desce ao plano terrestre, torna-se prisioneiro de um corpo físico; e a duração desta vida na Terra depende do número de lições que ele tenha para aprender. Há Egos que vêm à Terra para aprender lições em construção pré-natal do corpo e que se descartam de seu veículo físico tão logo essa tarefa particular esteja completa, o tempo variando em cada caso, em dias, semanas, meses ou anos. Outros usam seus corpos físicos do nascimento à adolescência, outros até a idade adulta e ainda há os que alcançam avançada idade. Mas, note-se, a duração de cada vida terrena depende de certas lições necessárias à aprendizagem individual, a fim de que sua evolução possa ser favorecida. De modo algum, somos meros joguetes do destino.
Tendo-se uma determinada quantidade de livre arbítrio, é-nos possível no passamento de um Espírito, através de nossas lamentações e outros tipos de perturbação, frustrar temporariamente os planos da Natureza e causar a este Espírito a perda do panorama post-mortem, tão necessário ao seu progresso no mundo celestial. Nestes casos, o Espírito, comumente, retorna àqueles que foram responsáveis por esta sua perda, renascendo em seu lar e logo deixa a vida terrena, indo diretamente para o Primeiro Céu, onde retoma as lições contidas no panorama destruído. Na hora do passamento, todas as crianças, bem como os adultos, são aguardados por amigos queridos e, às vezes, até por Anjos, para conduzi-los ao Grande Além.
A vida das crianças no mundo celeste é de uma beleza indescritível. Quando os pais compreenderem a vida agradável que tais crianças levam e os grandes benefícios usufruídos por elas durante sua breve estada naquele mundo, sua dor será certamente bastante suavizada e as feridas de seu coração curar-se-ão muito mais rapidamente.
Aqueles que deixam seu Corpo Físico em condições normais estão liberados inteiramente assim que o panorama da vida é gravado no Corpo de Desejos, o qual eles levam ao mundo celeste. Três dias e meio de perfeita quietude devem ser permitidos ao Espírito no momento da transferência da gravação do panorama da vida recém finda do éter refletor do Corpo Vital para o Corpo de Desejos, veículo em que o Espírito funciona quando entra nos mundos superiores. As imagens assim transferidas para o Corpo de Desejos, o veículo da emoção e do sentimento, são a base do subsequente sofrimento durante a estada do Espírito no Purgatório, devido aos maus atos cometidos, e, no Primeiro Céu, a alegria sentida é por conta das boas ações realizadas em sua última vida terrena.
O tempo de permanência do Espírito no Purgatório pode ser grandemente abreviado se ele estiver perfeita e prontamente desejoso de reconhecer e desfazer-se de seus erros e faltas, quando estas imagens aparecerem no panorama da vida, ao invés de tentar desculpar-se ou deixar-se inflamar de novo pela cólera e pelo ódio do passado. Este desejo de cooperação do Espírito reduz grandemente o sofrimento relativo à purgação do post-mortem.
Tão logo o corpo físico se separa dos corpos sutis, os portais do reino elemental se abrem e as forças que impregnam a terra, a água, o fogo e o ar retiram-se da forma inanimada pertencente ao seu particular domínio, e a reintegram em seu próprio reino.
O peculiar ambiente que envolve uma câmara mortuária e o medo que a maioria das pessoas tem de um corpo morto são ambos causados pelo estreito contato, então existente, entre os ocupados seres elementais e as pessoas que se encontram em volta do corpo inanimado. Estas forças elementais estão sempre presentes e excessivamente ativas quando qualquer tipo de matéria orgânica tem de ser desintegrada, e suas partículas devem retornar às respectivas esferas.
Tristezas, lamentações, pensamentos de desespero e ânsias de que volte o ser que partiu tendem a tornar o Espírito preso à Terra, impedindo-o de participar das atividades pertencentes ao seu novo ambiente de vida. Por outro lado, pensamentos de amor, coragem, esperança, alegria e boa vontade são mais benéficos e de valor inestimável. Se, ao invés de entregar-se às nocivas práticas das lamentações que impedem o progresso do Espírito que partiu, alguém fizesse, à noite, precisamente antes de adormecer, uma oração fervorosa para lhe ser permitido ir ao encontro do seu ente querido, tão logo tivesse adormecido, tal desejo o transportaria quase imediatamente para onde estivesse o ser querido e poderiam passar horas juntos, o que seria proveitoso para ambas as partes. Na ocasião em que este alguém fosse capaz de voltar às Regiões Suprafísicas em plena consciência, muitas experiências seriam conseguidas nos planos invisíveis e, desta forma, poderia auxiliar os amigos que partiram e, com o método já mencionado, eles poderiam encurtar muito sua permanência na região purgatorial.
O tempo de permanência no purgatório é comparativamente curto, cerca de um terço do período vivido no Mundo Físico, mas a vida no Primeiro Céu dura, aproximadamente, centenas de anos. Esta região é um lugar de alegria, sem a menor dose de amargura. Doenças, tristezas e pesares são desconhecidos então, e todas as nobres atividades almejadas pelo Espírito são totalmente realizadas. Belas casas, flores, árvores, etc. lhe pertencem, tudo composto pela sutil substância do Mundo do Desejo. Apesar disso, todas as coisas são tão palpáveis para os habitantes do mundo celeste como nossas propriedades materiais o são para nós.
Esta gloriosa região é lugar de progresso e contém tudo o que é bom e desejável nas humanas aspirações. Aqui, o estudioso e o filósofo têm acesso instantâneo a todas as bibliotecas do mundo. O artista, pelo poder da imaginação, cria seus modelos perfeitamente em cores luminosas e vívidas, de cintilante beleza. O escultor modela com facilidade a matéria plástica deste mundo, produzindo obras cuja delicada beleza ele nunca imaginou durante sua vida na Terra. O musicista também é grandemente beneficiado, pois, nesta região, ele ouve os ecos de celestiais melodias, muito mais doces e mais duradouras que quaisquer que tenha ouvido na Terra, e seu Espírito se inebria em sua especial harmonia. O poeta encontra uma inspiração maravilhosa em imagens, música e cores as quais será capaz de usar em seu próximo renascimento. Os filantropos elaboram planos altruístas que serão empregados em vidas futuras. Nesta região, ele vê também a causa das falhas do passado, aprende a transpor os obstáculos e a evitar os erros que tornaram os planos que usou no passado impraticáveis. Assim, após uma curta estada de purificação na região purgatorial, este é o lugar onde os nossos entre queridos são encontrados, preparando-se para uma nova, melhor, mais eficiente, mais compreensível vida terrena em tempos vindouros.
Mensagem Rosa cruz.